Fotografar durante as férias

Ah, férias! Como fotógrafos o processo de fotografar durante as férias é quase um processo natural, é extremamente difícil de desligar. A tentação de saltar para pós-processamento, assim que acabamos uma série de fotografias pode ser esmagadora.

E se fotografar em RAW, a imagem terá  forçosamente de ser trabalhada em pós processamento.

Porém, não deveríamos estar a desfrutar com a nossa família e amigos nossas férias, em vez de passar horas no computador a fazer trabalho de pós processamento?

Enquanto escrevo este artigo, eu estou  numa casa de praia onde viveu a minha avó e onde passei alguns dos anos mais felizes da minha infância há mais de 30 anos.

Recordo histórias de tempos passados.

A casa que agora pertence à minha tia está repleta de fotografias captadas com câmeras de 35mm e faz me recordar experiências memoráveis para mim ao observar essas fotografias, algumas mesmo captadas por mim na porta desta mesma casa.

Fotografar em férias
A minha avó Maria captada por mim,  35 anos atrás.

Um zumbido de nostalgia cresce dentro de mim, invade-me a memória.

O “cool factor” desse tipo de registos feitos em fotografia de 35 mm é automático, especialmente considerando que alguns deles foram feitos por mim, 35 anos atrás.

A resposta vai para além das memórias e das pessoas que nós associamos a essas imagens.

É que essas imagens foram captadas num momento em que as fotografias eram pensadas, em tínhamos apenas à nossas disposição 24 ou 36 possibilidades de registo nas nossas câmeras, em que cada fotografia era pensada, e composta com amor e carinho, e não apenas mais um momento digital que se não ficasse bem seria ajustado no pós produção.

Nesta viagem de férias irei basicamente  fotografar em filme.

Porquê? perguntam muitos de vós. Certamente não será por não ter à minha disposição boas “maquinas” digitais, nem será porque a qualidade é melhor do que digital.

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Olympus OM1

Não é também por causa do preço.

E não é também por nostalgia ou revivalismo, ao contrário do que os primeiros parágrafos deste artigo possam fazer pensar.

É porque eu quero que meu fluxo de trabalho durante estas férias seja outro.

Pressionar o botão, fazer avançar o filme, guardar a câmera e não pensar mais no assunto.

E no fim mandar revelar o filme, e digitalizar ou obter impressões.

É isso aí. Eu não quero nestas férias um monte de imagens que ficam à espera num disco rígido, enquanto eu meticulosamente terei de as ajustar no pós produção.

Quero voltar a ter a possibilidade de perder o controlo do processo de pós produção e posso vos dizer nestes primeiros dias que tem sido estranhamente libertador!

Eu  trouxe comigo duas câmeras uma Olympus OM1, e uma Minolta X-700 e alguns rolos de filme a cores e preto e branco.

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O facto de eu captar uma imagem e não ter de olhar para a traseira da câmera para verificar se ficou bem, é estranho no inicio, mas intuitivo. É simples, é fotografar e seguir em frente. Os meus olhos e pensamento estão na paisagem, no que estou a viver e com a minha família. Eu não sou obrigado a ir imediatamente ao meu laptop, e mergulhar no  Lightroom enquanto minha família está a conversar ou a divertir-se noutras divisões da casa. Eu estou lá com eles.

Começar a desfrutar da experiência de sentar-me no sofá com a minha família, abrindo um envelope de 4×6, e recordar as nossas férias junto com eles. Essa é a parte mais importante: as impressões. Obter essas memórias tangíveis na sua mão. Não deixá-las ficar num disco rígido. Forçar-me a fazer impressões, forçar-me a viver emoções.

 

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