Canon 7D MKII

Anunciada em 2009, com 8fps, 18MP de resolução, ISO máximo de resolução, ISO máximo de 6400 e 19 pontos de foco, a Canon EOS 7D tornou-se rapidamente uma câmara carismática, mas com o passar dos anos a sua obsolescência começou a aparentar-se, à medida que novas concorrentes surgiam com predicados bem mais atraentes.

Para alívio dos muitos adeptos da marca à procura de uma câmara substituta que os trouxesse definitivamente de novo para a aribalta da performance fotográfica, a Canon anunciou Setembro de 2014 a Canon EOS 7D Mark II, com pouco mais resolução mas capacidades de foco e cadência de disparo que até há pouco tempo atrás só estariam ao alcance das mais caras câmaras profissionais, quase exclusivas dos bolsos cheios ou dos fotógrafos desportivos de topo.

Características principais

A Canon EOS 7D Mark II dá apenas um muito pequeno salto dos 18MP da sua antecessora, para os 20MP. Se isto pode parecer pouco, com alguma concorrência nos 24MP, a Canon tomou uma medida corajosa em não dar mais um passo na “corrida dos pixéis”, utilizando o sensor da EOS 70D, com tecnologia dual pixel que permite recolha de informações sobre posição e movimento com o espelho levantado, soberbo para vídeo e imagens em Live View.

A jóia da coroa da Canon EOS 7D Mark II é sem dúvida o seu sistema de foco de 65 pontos, todos do tipo cruzado, embora só o central seja de dupla cruz, F2.8, com sensibilidade até -3EV, o que para os menos versados significa a capacidade de focar em muito baixa luz, além da velocidade acrescida oferecida pelos pontos de foco do tipo cruzado, que atingem aqui potencialmente o maior número no mercado.

Em conjunto com o sensor de fotometria de 150,000 pixéis RGB com a mais recente versão do “Intelligent Tracking and Recognition (iTR)” ou Rastreio e Reconhecimento Inteligente, que permite rastreio avançado de objectos em movimento, e o DIGIC 6, a Canon EOS 7D II mostra ser um puro-sangue em termos de capacidade agarrar o foco e não perder um momento: com um cartão de memória suficientemente rápido, podemos disparar 10fps em foco contínuo, em sequências de até 31 imagens em formato RAW antes da cadência abrandar. É o tipo de desempenho que nos habituamos a ver apenas nas melhores câmaras nas laterais dos derbies futebolísticos, e líder de mercado entre câmaras APS-C.

A vida útil do obturador também passa agora para as 200,000 actuações, o que é sem dúvida útil, tendo em conta quão veloz a câmara é.

  • Sensor: CMOS de 20MP com AF Dual Pixel
  • Sistema de foco com 65 pontos tipo cruzado
  • Sensor de fotometria de 150,000 RGB + IR
  • Processador dual Digic 6
  • Cadência de disparo de 10fps até 31 RAW
  • Ocular Intelligent Viewfinder II
  • GPS Incluído
  • Corpo protegido contra elementos

Desenho e construção

Os utilizadores da Canon ajuramentam pela sua ergonomia e facilidade de utilização, mas face à 7D, a 7D Mark II recebeu melhorias muito interessantes, adoptando uma disposição praticamente idêntica à da EOS 5D Mark III. Segundo a Canon, a medida visa permitir aos seus utilizadores uma transição fluída entre câmaras.

Assim, os controlos poderão já ser bastante familiares para os utilizadores Canon, e permitem o acesso a praticamente todos os parâmetros de disparo de modo quase instantâneo. Há que destacar no entanto a alavanca selectora das áreas de foco activas, que faz a primeira aparição na 7D Mark II e será de grande utilidade que outras câmaras a adoptem.

Os restantes comandos são os normais para a Canon, incluindo o utilíssimo joystick traseiro e o anel da consola central que faz as vezes de selector de abertura, embora possa ser configurado para outras funções.

Muito agradável é o corpo de elevada qualidade em liga de magnésio, e com selagem avançada contra poeira ou salpicos, tornando-a uma câmara que com alguma confiança se pode utilizar com meteorologia má. A sensação de robustez é inegável.

Atrás, talvez o grande ponto negativo externo da EOS 7D II, um ecrã ainda fixo, numa altura em que os fabricantes começam a perceber a utilidade de ecrãs posicionáveis. De estranhar, igualmente, não ser um ecrã touch, o que, tendo em conta a tecnologia Dual Pixel, seria excelente para os videógrafos. Com 1.04 milhões de pontos e construção gapless, o ecrã é no entanto de elevada qualidade, com excelente contraste e poucos reflexos à luz do dia.

Verdadeiramente excelente, é a ocular, uma unidade que conta com o Intelligent Viewfinder II, capaz de mostrar uma quantidade excepcional de informação directamente no enquadramento, graças a um LCD translúcido. Entre os avisos destaca-se a funcionalidade FLICKER! que avisa quando a câmara detecta cintilação, por exemplo em lâmpadas, de modo a podermos corrigi-la e evitar as bandas que o problema geralmente causa. De muito bom grado é a capacidade de mudarmos o painel de foco por um mais do nosso agrado. Do lado menos positivo, a escala de fotometria foi mudada para o lado direito, um verdadeiro pesadelo porque a tendência do olho é ir algo para o lado esquerdo, escondendo a escala por completo.

Experiência de utilização

A Canon EOS 7D Mark II é o tipo de câmara volumosa que pesa na mão, mas o punho foi muito bem desenhado para distribuir correctamente o peso, de modo a que a mão não fica imediatamente cansada.

Se para quem, como o autor, fotografa com o olho esquerdo, o disco traseiro pode ser incómodo, para quem fotografa com o olho direito, os controlos externos são irrepreensíveis. Como fotógrafo de eventos musicais, a facilidade de alterar os parâmetros é fundamental, e a EOS 7D II está bem pensada. Por exemplo, o botão de acesso ao ISO está praticamente na direcção do disco frontal, o que permite activá-lo rapidamente sem tirar a câmara do olho, isto se não optarmos por utilizar o ISO automático.

A implementação esta opção é muito boa, permitindo-nos seleccionar não só o intervalo de gama ISO, mas igualmente a exposição mínima permissível, antes da câmara aumentar a sensibilidade. Por exemplo, podemos estipular 1/100, como o valor mínimo, levando a câmara a aumentar o ISO sempre que a sensibilidade actual pudesse obrigar a exposições mais longas.

Na traseira, a alavanca de selecção das áreas de foco é excelente para alterarmos os pontos de foco conforme as nossas necessidades, mas convém realçar que só se activa após pressionarmos o botão AF-On algo acima. Não julgamos que fosse problemático termos uma activação imediata sem necessidade botões extra, mas a alavanca pode ainda ser usada para outras funções de disparo, conforme as necessidades de cada fotógrafo.

Durante o período de teste, foram poucas as oportunidades para realmente puxarmos pela capacidade do foco da EOS 7D Mark II. Em condições normais, o foco é sem dúvida fulminante, e a cadência de disparo impressionante, mesmo com um cartão SD banal. Quando a luz diminui, aumentam as vezes que a câmara falha o foco, mas ainda assim a caça é rápida e mede-se em fracções de segundos, para um desempenho louvável.

A facilidade de trocar de parâmetros de disparo é sem dúvida ao nível do que esperará qualquer amante de desporto, vida selvagem e mesmo música, enquanto a ocular é realmente excepcional, colocando-nos ao nível do olho todas as informações mais úteis… excepto a escala de exposição, ali escondida à direita e a confundir quem pega na câmara.

Um último senão: só o ponto central do sensor pode ser utilizado para a fotometria pontual. Uma grande parte das câmaras no mercado permitem que qualquer ponto de foco activo sirva também de medidor de exposição, o que poderá pregar-nos algumas partidas. Felizmente o autor fotografa fundamentalmente com o ponto central, e a situação não é incontornável, com a utilização de outros pontos de foco, com a câmara a parecer muito boa na fotometria em geral.

Qualidade de imagem

Testamos a Canon EOS 7D Mark II com a fabulosa EF 14mm f/2.8L II USM. A objectiva já tem alguns anos, mas há que dizer que continua uma excelente objectiva. Obrigatoriamente, a câmara beneficia disso, mas onde não beneficia são nas características intrínsecas do sensor.

Aqui, tendo em conta a nossa experiência passada com câmaras Canon, a qualidade de imagem da 7D Mark II ultrapassa qualquer Canon APS-C que tenha vindo antes, excepto quiçá a 70D. Melhor, só mesmo quando entramos na gama full frame da Canon, com a 5D Mark III a superar em todos os pontos, para grande crédito de uma câmara que já tem dois anos. Ainda assim, a EOS 7D Mark II apresenta uma relação preço/qualidade de imagem muito atraente para quem não precisar exactamente de ISO alto.

Especificamente, a 7D Mark II oferece um desempenho de ruído perfeitamente ao nível da sua competição mais próxima, mas como parece ser normal nas Canon, tem muito menos ruído a dado ISO, do que quando puxamos as sombras para uma exposição equivalente, por isso a exposição correcta é mesmo importante.

Do lado da gama dinâmica, ficamos agradavelmente surpreendidos. Sentimos que é uma área onde a Canon ainda pode melhorar, com capacidade de recuperação das altas-luzes abaixo do que esperaríamos, mas é uma câmara bastante válida para situações de elevado contraste, onde queiramos puxar as sombras sem recorrer ao cliché do HDR. Acima de tudo, a Canon eliminou por completo as bandas que surgiam nos seus modelos anteriores, quando começávamos a ser agressivos nas sombras, e se continua com mais ruido que a 5D III, é pelo menos um ruído muito mais homogéneo.

Este último ponto valerá certamente para a maioria dos fotógrafos mais do que um aumento de resolução mais substancial.

Conclusão

Passaram-se quase 5 anos entre a Canon EOS 7D e a sua sucessora e, justamente, a Canon fez um esforço para renovar a câmara para continuar a ser um portento em capacidade de foco no reino das APS-C. Não estará ao nível das muito mais caras (e melhores) 5D III e 1D X, mas a verdade é que como corpo secundário para fotógrafos de desporto, as especificações da Canon EOS 7D Mark II são das mais sólidas do mercado, senão as mais sólidas.

A ideia de dispormos de 65 pontos de foco em cruz em acção, capazes de cobrirem 80% do enquadramento, e com uma das melhores implementações de foco de seguimento do mercado com o modo AF Servo, é verdadeiramente um deleite para fotógrafos de desporto e fauna.

Do lado da qualidade de imagem, a Canon avançou realmente muito, conseguindo resolver alguns dos problemas que mais a ensombraram no passado, nomeadamente o já mencionado banding nas sombras. Em consequência, mesmo com uma gama dinâmica base algo aquém da concorrência, a 7D Mark II tem agora sombras muito mais aproveitáveis. É uma pena a gama dinâmica ainda não estar no ponto, tornando-se muito mais fácil queimar as altas-luzes do que na sua concorrência mais directa. Não fosse esta questão, estaríamos perante um desempenho de sensor imbatível.

Não podermos ligar a fotometria pontual a qualquer ponto de foco parece-nos uma grande lacuna, excepto quando pensamos que para efeitos de desporto a medição pontual não é porventura a principal opção dos fotógrafos, pela velocidade dos movimentos e consequente dificuldade em obter leituras correctas.

Tudo somado, para os fotógrafos que necessitam das capacidades avançadas da EOS 7D Mark II, esta é uma câmara excitante que mostra um belo passo em frente por parte da Canon, e por isso convida a fotografar e a ser explorada. Os fotógrafos de desporto têm finalmente uma ferramenta altamente competitiva, a uma fracção do preço da bem amada 1D X, o que torna a 7D Mark II um bom complemento, ou mesmo uma excelente opção para orçamentos menos exuberantes. Podemos ter algum receio de que um corpo APS-C possa ser algo frágil para este tipo de fotografia, mas não havendo feito nenhum teste de resistência a embates, a verdade é que a 7D Mark II é de uma solidez tremenda.

A partir deste momento, substituir a 7D original é não só possível como praticamente obrigatório.

Pontos positivos:

  • Elevada cadência de disparo de 10fps
  • Foco com 65 pontos em cruz e 80% de cobertura
  • Ocular com 100% de cobertura e do tipo Intelligent Viewfinder
  • Ponto de foco central com sensibilidade até -3EV
  • Ergonomia e acessibilidade dos parâmetros de disparo
  • Compensação de cintilação
  • Quantidade de detalhes nas sombras
  • GPS

Pontos negativos:

  • Ecrã não é posicionável
  • Medição pontual apenas no ponto central
  • Gama dinâmica aquém do desejado
  • Escala de fotometria difícil de ver

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